Pr. Verner Gilberto Musenek.
Ainda no mês de dezembro fiz uma visita de rotina a um cardiologista e, à semelhança de conselhos que muitos médicos dão, este não foi diferente: recebi uma lista de alimentos que não fazem nada bem para o nosso corpo. Dentre frituras, leite integral, carnes gordurosas e massas, o médico enfatizou sobre o perigo de se comer queijo mussarela excessivamente. Até recomendou que nem de vez em quando deveríamos comer, dada a quantidade de gordura animal que contém no produto e o mal que faz para o coração.
Mas, para não desanimar, nesta mesma lista que o médico deu há opções mais saudáveis ou menos agressivas ao corpo humano que podem substituir os alimentos menos indicados. São as trocas: carne gorda por carne mais magra, leite integral por leite desnatado, doces por frutas, mussarela por ricota – além da necessária e até obrigatória prática de exercícios. Gosto de mussarela e pelo menos nos vemos “cercados” por este alimento em muitos pratos que comemos no dia-a-dia. Desde o pão do café da manhã com uma fatia de queijo até a famosa pizza ou um rápido lanche. Tentando me justificar, o especialista em coração insistentemente reforçou: “Está comprovado. Gordura animal faz mal. Queijo faz mal para o coração. Troque por ricota ou produtos similares do tipo light”.Todos estes conselhos médicos que nós tão bem conhecemos também trazem lições para a manutenção da nossa vida espiritual: a necessidade de trocas e a importância das mudanças. Trocar para um melhor resultado; mudar para conseguir atingir um objetivo. Alguém já disse: “Continuar agindo do mesmo modo ou fazendo a mesmo coisa, oara o coraçte reforçou mas esperar resultados diferentes, é tolice.” A frase é agressiva, mas é verdadeira. Por tantas vezes reclamamos das coisas, mas não nos preocupamos em buscar alternativas para que novos resultados sejam alcançados. Esperamos mudanças na vida do próximo; esperamos mudança no professor; queremos mudanças nos pais, no pastor ou em um aluno; queremos mudanças nos amigos; no marido ou na esposa; queremos mudanças na igreja – mas muitas vezes não oferecemos mudanças para nós mesmos – porque é desconfortável. O discurso é bonito e tem suas razões, mas trocar mussarela por ricota não é tão simples.
Do latim religare, a religião tem a finalidade de “religar o homem com Deus”. Se tem que religar, subentende-se que estávamos desligados, separados. E é verdade que todos sabemos: pelo pecado, estávamos todos separados de Deus. A Bíblia, do início ao fim traz a opção de mudanças para a raça humana. Cristo consumou a necessidade de reavaliarmos nossa condição espiritual e, além da salvação, trazer para a prática um novo modo de vida. No Antigo Testamento, no livro de Jeremias, há um apelo do profeta para que o povo optasse por mudanças: “Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Corrijam a sua conduta e as suas ações, eu os farei habitar neste lugar” (Jr 7.3) – a condição para Deus os abençoar era a capacidade de pararem com algumas práticas e escolherem obedecer ao Senhor. No Novo Testamento, apóstolo Paulo também fala sobre o antes e depois: “O que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade” (Ef 4.28) – mais do que a prática de pegar o que não lhe pertence, a principal lição do texto é a capacidade de não fazer mais o que se fazia antes.
Para este novo ano que se inicia, temos, cada um com si mesmo, enormes desafios. Desafios de trocas que podem trazer incômodo para nós e para os que estão próximos de nós por atitudes que proporcionem crescimento e amadurecimento espiritual. Toda a igreja é fortalecida quando os membros, individualmente, estão espiritualmente saudáveis. Trocar o desinteresse, pelo interesse. Trocar o afastamento, pela aproximação. A reclamação e críticas, pelo envolvimento e sugestões. A incompreensão, pela capacidade de avaliar. O ódio pelo perdão. Trocar desculpas pela coragem de assumir que posso contribuir muito mais e melhor para que coisas melhores venham a acontecer. Nossas “trocas” pessoais dependem somente de nós mesmos. E o melhor: proporcionam maravilhosos resultados.
Se em tantas áreas de nossa vida queremos resultados diferentes, vamos mudar. Não há outro caminho: se queremos que a igreja tenha um coração saudável, os modos antigos, os vícios ou maus costumes terão que ser trocados. Não há como pessoalmente se justificar; bem no nosso íntimo reconhecemos e sabemos das mudanças que precisamos.
Para edificação da igreja e honra e glória Dele.