Quando assistimos a um jogo de Copa do Mundo ou mesmo qualquer outra modalidade esportiva, além do narrador há sempre alguém que faz comentários do que está acontecendo no esporte praticado. E é de se notar que as avaliações geralmente são de pessoas que já atuaram no esporte e que então colocam-se em posição de quem pode falar com propriedade ou conhecimento de causa – e os comentários são até muitas vezes pertinentes e coerentes com o que está acontecendo no momento da prática do esporte. Mas também acontece que muitas outras vezes os comentários são exagerados, infundados e não verdadeiros, é resultado mais de uma emoção do que de uma razão; chega dar a impressão que o comentarista nunca esteve no lugar do atleta. Em um mesmo jogo de futebol, por exemplo, um jogador pode ser ridicularizado quando erra um passe ou mesmo ser colocado em posição de estrela quando faz o gol. Parece que muitos ex-atletas que hoje são comentaristas se sentem confortáveis em apenas apontar ou avaliar irregularidades que eles mesmos não podiam evitar quando atuavam em um jogo de futebol.
Como pessoas, somos constantemente avaliados e também temos a facilidade de avaliar os outros. Provavelmente neste momento alguém deve estar avaliando a conduta de outra pessoa ou até imaginando porque o outro não pensa e se comporta do modo como eu acho correto. Alguém já disse: “Vemos os defeitos alheios panoramicamente; o difícil é vermos as nossas próprias falhas”. E isto é verdade – como é difícil o ser humano ter a capacidade de olhar para dentro de si e perceber como muitas vezes não têm sequer moral para corrigir os outros. Lamentavelmente muitos cristãos já foram machucados por não terem obtido um grau de perfeição que é tanto exigido, mas pouco praticado por quem os exige.
Dentro do conceito de igreja, obviamente que não é errado apontar correções para os outros e ajudar quando nota-se que alguém de fato pode ser mais bem orientado – e isto é bíblico e saudável – mas também é triste quando facilmente se identifica pessoas que buscam apenas sustentar ou só se sentem satisfeitos nutrindo o seu “eu” mostrando sempre ser superior aos outros. Paulo escreve à igreja de Filipos: “Não façam nada por competição e por desejo de receber elogios, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.3).
Dentre vários personagens bíblicos, Neemias é um dos que mais nos ensina sobre a capacidade de valorizar pessoas. Com um conceituado emprego (copeiro do rei), deixa-o, sai de sua terra e aprecia Jerusalém com um aspecto nada animador: muros destruídos e muita gente desanimada. É provável que muitos de nós buscaríamos respostas que julgassem os moradores de Jerusalém como incapazes ou medrosos. Mas Neemias ganha todo o povo quando:
1. Mostra uma vida nas mãos de Deus;
2. Identifica-se como uma batalha de todos, inclusive dele.
3. Participa da obra.
Suas credenciais não eram a sua profissão anterior, posses ou a capacidade de saber mais do que os outros. Mas era conhecido como alguém que tem o Senhor muito perto: “O Deus dos céus é quem nos dará bom êxito” (Nm 2.20).
Quando assistir algum esporte, lembre-se de que você não está lá atuando. Pode-se até fazer algumas avaliações, no entanto não se esqueça que o atleta que está praticando determinado esporte já se esforçou muito para que atingisse tal posição. Quando for criticar o trabalho de alguém, pense qual foi a sua contribuição. Se for tentado a criticar pessoas, analise se dispõe do mesmo tempo e dedicação para falar sobre aspectos positivos dos outros.
